Publicidade da exportadora Luiz Viana na revista Conservas de Peixe1938
Publicidade Pinhais, Matosinhos, na revista Conservas de Peixe, 1937
Nuri, 1948
Amourette, 1949
Mascato, 1939
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A Embalagem de Conservas na Conserveira Pinhais, por Sara Monteiro


A Embalagem de Conservas na Conserveira Pinhais, por Sara Monteiro

Sara Monteiro é designer gráfica licenciada e mestre em Design de Comunicação pela ESAD – Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos. Realizou a dissertação A Embalagem de Conservas na Conserveira Pinhais: Análise dos Rótulos Produzidos de 1920 a 2014 no âmbito do Mestrado em Design de Comunicação em 2014.

 

O desenvolvimento industrial do concelho de Matosinhos sofreu um forte incremento, a partir dos finais do século XIX, devido à sua proximidade ao mar. A situação geográfica, a abundância de matéria-prima e a facilidade de exportação dos produtos, tornou Matosinhos num centro piscatório relevante, que impulsionou o desenvolvimento de outras indústrias ligadas ao mar, caso da indústria conserveira, a qual se converteu num dos motores de desenvolvimento da região e do país. É nos produtos transformados e em particular nas embalagens de conservas desta indústria, encaradas como objetos de arqueologia industrial, que selecionamos o nosso objecto de estudo. O forte incremento do consumo de conservas ocorrido nos últimos anos, depois de décadas de declínio e desaparecimento de muitas das empresas conserveiras sediadas no concelho, veio evidenciar a relevância desta indústria para a região e tornar premente a preservação do património. Integrada num contexto social, cultural e económico em transformação surge a vontade e a oportunidade de realizar estudos no âmbito do Design de Comunicação, em particular na área da Embalagem. Um trabalho de investigação, arquivo e análise dos rótulos aplicados sobre embalagens da indústria conserveira, originárias do espólio da conserveira Pinhais & C.ª L.ª, sediada, desde 1920, em Matosinhos. As embalagens estudadas do vasto e antigo património ainda existente e disponível foram produzidas entre 1920 e 2014, por uma das quatro fábricas que prevaleceram, no centro conserveiro do norte do país, cujas unidades fabris já rondaram as cinquenta unidades. A embalagem encarada como fator primordial de conservação de alimentos e sedução de públicos e em particular os rótulos, são testemunhos de uma transformação social e estética evidenciada na ilustração e nos grafismos adoptados. Representativo de uma memória e de um património estético e cultural relevante no contexto dos estudos de embalagem, o espólio da conserveira em análise pela sua riqueza e diversidade de embalagens, em particular os grafismos vintage, afigura-se-nos de grande riqueza imagética que deve ser valorizado e reinterpretado.

17212525332_e54ecd5df0_bConserveira Pinhais, 2014

 

O plano de investigação delineado utiliza o modelo de pesquisa, definido por Noble e Bestley (2011, p.56-59) como field of study research. De acordo com o mesmo, delineamos outras áreas de interesse que seriam importantes para a análise, com o intuito de ter um maior e melhor entendimento do contexto do objecto de estudo – enquadramento histórico social e cultural, contextualização histórica da conserveira Pinhais, técnica de impressão litográfica, tipologias da embalagem de conservas – áreas que poderiam trazer informações pertinentes para a futura análise dos rótulos. Um segundo momento do projecto, passou pela recolha e organização do objecto de estudo, ou seja, das embalagens que compõem o espólio da conserveira Pinhais, onde procedemos ao registo fotográfico de todas as embalagens e outros materiais gráficos. Quanto à metodologia adoptada para a análise dos rótulos, baseámo-nos no modelo de Gerverau (2007), que divide a análise da imagem em três etapas: a descrição, a evocação do contexto e a interpretação, onde optamos por focar a análise nos aspectos formais da imagem e portanto na Descrição. Este primeiro campo da análise da imagem, pretende fazer uma descrição o mais pormenorizada possível da imagem.

Longe de se tentar interpretar, deve-se seriar os elementos perceptíveis. (Gerverau, 2007, p.57)

Quanto à estruturação da grelha de análise incorporamos a metodologia de Gomez (n.d.) modificando e aumentando a lista de tópicos a analisar, de modo a adequá-los ao objecto de estudo. A grelha final adoptada subdividiu-se então em Descrição TécnicaDescrição Estilística e Descrição Temática. Também integramos na investigação e trabalho de campo visitas ao Museu de Portimão e ao Museu de Espinho, à Associação Nacional dos Industriais de Conservas (ANICP) assim como ao Núcleo de Amigos dos Pescadores de Matosinhos (NAPESMATE), à fábrica conserveira Pinhais & C.ª L.ª e às empresas de litografia, Rio Caima S.A. e Amorim & Amorim, bem como a consulta dos projectos; Sardinha de Filipe Couto, Phosphoros, Rótulos com História de Cláudia Castro, Brand Archives de Pedro Almeida e destacando pela relevância do seu conteúdo, as publicações Conservas e Conservas de Peixe. A pesquisa de outras fontes escritas, orais e imagéticas, foi efetuada na Biblioteca Municipal Florbela Espanca de Matosinhos, Biblioteca Municipal do Porto, Biblioteca do Museu de Portimão e Biblioteca da ESAD, que consideramos fontes cruciais para uma melhor compreensão do objecto de estudo. Seguindo a metodologia adoptada, tendo em vista a contextualização do nosso projecto, procuramos saber mais sobre a indústria conserveira, a sua introdução em Portugal, nomeadamente em Matosinhos, e consequentemente sobre o método de produção de conservas.

Em 1822, a Sociedade de Incitações da indústria nacional, em França, concedia solènemente o título de Benfeitor da Humanidade ao creador do processo das conservas alimentares. (Nicolas Appert Benfeitor da Humanidade, 1937, p.1)

Existem várias versões, quanto ao início da conservação de alimentos em recipientes. José Pires (2005) refere que foi na sequência de uma necessidade militar, aliada a um incentivo monetário, que a descoberta de um processo que permitisse a conservação de alimentos terá sido estimulada. Por outro lado, a ‘Association Internationale Nicolas Appert’ (A.I.N.A.), alega que Nicolas Appert, tinha interesses comerciais na questão da conservação, que até finais do século XVIII, era realizada pela preservação em álcool, vinagre, gordura ou açúcar, procedimentos dispendiosos que não garantiam a preservação integral dos alimentos. Durante anos, Appert prosseguiu com o seu estudo, e crê-se que por volta de 1795, ele terá descoberto que mergulhando os alimentos em água, à temperatura da sua ebulição, quando colocados previamente numa garrafa de vidro espesso, como as de champanhe, lacrados com tampa de cortiça e cera (Brandão, 2010), estes alcançavam a conservação por tempo indefinido. (A.I.N.A., 2010) O procedimento de Appert foi rapidamente disseminado, impulsionando a fundação de uma nova indústria, que segundo Parreira (1940), se tornaria de importância fundamental para todos os países.

Publicidade da exportadora Luiz Viana revista Conservas de Peixe, 1938Publicidade da exportadora Luiz Viana, Matosinhos, na revista Conservas de Peixe, 1938

Quanto ao desenvolvimento da indústria de conservas de peixe em Portugal, segundo Atalaya (1980), a sua origem teve por base a situação geográfica privilegiada do país, que com a abundância de peixe ao longo dos 860 quilómetros de costa continental, sobretudo sardinha e atum, cedo levou a que fosse procurada uma solução para os excedentes da pesca. Assim, à conservação através do sal seguiu-se a conservação por esterilização de Appert, introduzida em Portugal em 1865. Tendo sido uma indústria iniciada no sul do país, podemos perceber que houve uma proliferação pelo continente, nomeadamente junto à costa, destas unidades fabris, que chegaram a rondar as 400 unidades. Fernandes (n.d.) explica que apesar da primeira geração, que situa entre 1880 e as primeiras décadas de novecentos, se ter caracterizado pela produção predominante na região centro (os centros portuários de Lisboa, Setúbal, Sines, Peniche, Nazaré) e na região sul do país (Lagos, Portimão, Olhão e Vila Real de Santo António), foi a partir de meados da década de trinta que se começou a estabelecer uma clara hegemonia na região norte, em parte devido à sentida escassez de sardinha nas costas mais a sul.

O desenvolvimento industrial do concelho de Matosinhos, ocorrido a partir dos finais do século XIX, deve-se, como aconteceu nos restantes centros conserveiros do país, à sua localização geográfica, no litoral, mantendo uma proximidade com um grande centro urbano, o Porto, à abundância da matéria-prima e à facilidade existente na exportação do produto. (Cordeiro, 1989) As primeiras fábricas de conservas no concelho são a Lopes, Coelho Dias (1899) e a Brandão Gomes (1903), filial da fábrica de Espinho com o mesmo nome cuja fundação data 1894. A hegemonia estabelecida no centro conserveiro do norte do país foi assegurado pelo porto de Leixões, o primeiro porto de pesca do país (Fernandes, n.d.). Na verdade foi na condição de porto de abrigo e não como catalisador da indústria piscatória que o porto de Leixões foi edificado, pois não era fácil, particularmente à burguesia portuense, abdicar do porto do Douro. No entanto, segundo Cleto (1998), com a edificação de barragens de aproveitamento hidroeléctrico no rio, é que no século XX é condenada a sua navegabilidade. Os trabalhos persistiram, o porto entra terra adentro invadindo o estuário do Leça e em 1932 foi iniciada a construção da doca nº 1 inaugurada em Fevereiro de 1940. A zona envolvente foi alvo de um rápido desenvolvimento, atraindo pescadores de outras regiões e favorecendo deste modo a indústria conserveira.

A cidade de Matosinhos passa então a ser considerada, a partir de 1937, como o principal centro de uma indústria com uma característica maioritariamente exportadora, no limiar da Segunda Guerra Mundial. (Fernandes, n.d.)

É ainda de referir, que as guerras mundiais acabaram por ter um efeito promotor da indústria de conservas, gerando condições anormais de procura, resultando num aumento de consumo do produto, factor que gerou o crescimento de unidades fabris. Porém, o aumento quantitativo da produção foi aliado a uma diminuição da qualidade dos produtos. Assim, muitas das empresas que surgiram neste período para satisfazer a enorme procura, viram o seu encerramento prematuro, por não conseguirem garantir o mínimo de requisitos necessários que lhes permitissem sobreviver, uma vez terminado este período excepcional. De acordo com Cordeiro (1989), após o primeiro pós-guerra, o surto industrial atinge consideráveis proporções com a progressiva instalação de novas fábricas conserveiras no concelho de Matosinhos. Apesar da construção do porto de Leixões, da existência de unidades industriais de apreciáveis dimensões, como as fábricas de conservas Lopes, Coelho Dias e Brandão Gomes, foram estas novas unidades fabris que promoveram a expansão industrial da região.

O processo de industrialização marcou profundamente o desenvolvimento económico e urbanístico do concelho de Matosinhos. Cordeiro (1989, p.63)

De modo a comprovar esta afirmação, o auge da indústria conserveira em Matosinhos é composto por cinquenta e quatro unidades fabris dedicadas à conservação pelo processo de esterilização.

A Conserveira Pinhais & C.ª L.ª é fundada em 1920, pelos irmãos Manuel e António Pinhal em conjunto com Luiz da Silva Rios, que se crê ter lançado o desafio aos dois irmãos pescadores, de constituírem uma sociedade vocacionada para o fabrico de conservas de peixe, aos quais se juntou posteriormente Luís Sousa Ferreira. A estratégia empresarial dos irmãos Pinhal passou por apostarem numa equipa de trabalhadores esforçados e com experiência no sector, e pela escolha do melhor peixe para as suas conservas, sem condicionalismos de preços. (Amorim, 2007) O edifício da fábrica, que conhecemos hoje, na Avenida Menéres número 700, foi somente edificado em 1926, tendo a primeira fábrica de conservas sido sediada na Avenida Serpa Pinto. Fábrica essa que recorria, segundo Amorim (2007), ao processo de conservação herdados da presença romana no litoral ibérico, a salmoura. Podemos dizer que o sucesso da Pinhais tem por base a qualidade das suas conservas, conseguida em parte, pela tradição mantida no processo de fabrico das mesmas, e pontualmente durante a nossa pesquisa é referida a relação de cordialidade mantida entre a gerência e os funcionários da fábrica. Actualmente quem dirige o destino da fábrica é António Manuel Pinhal, que passou a gerente no ano de 1983. O seu filho, António Manuel Pinhal também se encontra a trabalhar na fábrica, estando encarregue das exportações. O facto da Pinhais se ter mantido um negócio de família, pode ter, na nossa opinião, influência nos seus produtos, explicando a transmissão e continuidade das denominações das marcas da empresa, e de um modo geral do grafismo a elas associado. Tradição, palavra que se tornou para nós sinónima desta empresa, tanto pela gerência familiar como pelo método de fabrico ainda bastante tradicional, encontra-se visível também nos seus produtos. Desde as embalagens cartonadas, ou de celofane, às latas, que vão adquirindo, ao longo dos anos da empresa, diferentes formatos e métodos de abertura, a envolvente gráfica mantém-se praticamente inalterada. Optamos por mencionar aqui as marcas mais emblemáticas associadas à Pinhais: AnteoAmouretteBuzonCibelesCisneCometaEdusaHebeHioLes AilesMabutiMarinheiroMascatoMatapanMatusaNuriP.PescadorPinhaisRiosSailorSemper IdemYo e por fim a marca 10.

A conserveira Pinhais apresenta-se como uma das fábricas mais antigas do centro conserveiro de Matosinhos, com quase noventa e cinco anos de existência. Superou muitas das crises que já assolaram a indústria, mantendo-se em laboração de entre as cinquenta e quatro unidades fabris que já existiram em Matosinhos, fazendo parte das quatro que ainda persistem. Um negócio que partiu de dois irmãos pescadores e que tem passado de geração em geração desde 1920.

A litografia, indústria subsidiária da indústria conserveira, tem vindo a acompanhar o crescimento e desenvolvimento da mesma, assistindo-se à concentração e à fundação de empresas desta área junto dos grandes núcleos conserveiros. Em Matosinhos a mais antiga litografia, fundada em 1936 na Avenida Menéres Nº612, tem o nome de Amorim & Amorim, Lda., tendo elaborado trabalhos para a Conserveira Pinhais, tornou-se essencial para o caso em estudo. É de referir que em 1860, segundo Jury (2012), os primeiros rótulos coloridos eram usados pela indústria conserveira americana. O primeiro rótulo conhecido numa lata de metal carrega o nome da companhia Reckhow & Larne de Nova Iorque. Um martelo e um cinzel eram requeridos para a abrir. Com a lata em metal leve e a invenção do abre latas, a indústria de latas expandiu rapidamente, e o rótulo foi um elemento essencial. Por esta razão, os anos 80 do séc. XIX foram, em particular, uma época boom para os impressores de cromolitografia. (Jury, 2012, p.168, tradução livre) Segundo nos revelou o Sr. Gramaxo, interlocutor da Amorim & Amorim, o funcionamento desta empresa sempre esteve baseado na elaboração litográfica passando pela utilização da pedra litográfica assim como da impressão off-set. E acrescenta, explicando como a impressão era feita em pedras, mármores de Carrara, extremamente polidas, base para os desenhos delicados e minuciosos dos desenhadores. Ele diz-nos ainda que, os desenhadores, eram operários muito especializados, alguns quase analfabetos e praticamente anónimos, sem escola e a sua aprendizagem surgia naturalmente com o tempo, ensinados por sua vez por outros operários que, de geração em geração, iam passando os seus conhecimentos aos vindouros. De vez em quando, surgiam verdadeiros e enormes artistas. Evidentemente que eram pessoas muito talentosas, muito modestas mas com grande seriedade e brio, criativas mas sem qualquer qualificação profissional. O seu trabalho surgia quase por encanto, rotinado, mas muito belo e artístico. Tendo o espólio da Amorim & Amorim sido adquirido, pareceu-nos de especial interesse, para o nosso projecto, contactar a empresa de litografia e latoaria, Rio Caima S.A., onde tivemos a oportunidade de trocar impressões com o desenhador gráfico, Joel Teixeira, e onde pudemos observar um processo litográfico mais actual. Foi na visita a esta empresa que pudemos também visualizar um exemplar da lata de azeite da marca Pic-Nic, extraordinário, pela manualidade e pormenor característicos. Com uma ilustração extremamente colorida, com mais de cinco tonalidades, tirando partido de áreas não impressas expondo a folha virgem, e da conjugação de tintas opacas aliadas a tintas translúcidas, certas áreas tornam-se brilhantes. Pormenores e realces são também conseguidos pela técnica de pontilhismo, fornecendo uma certa volumetria ao desenho. O exemplar da lata Pic-Nic, é assim, para nós, exemplificativo das possibilidades oferecidas e conseguidas pela técnica de impressão litográfica sobre a folha de flandres.

Quanto às embalagens de conserva, percorremos a evolução das mesmas, desde a embalagem de vidro de Appert, às primeiras latas cilíndricas em folha de flandres, opacas e resistentes, que durante anos permaneceram inalteráveis. (Desnier & Hagene, 1994)
Referente às tipologias de abertura, tendo em conta a pesquisa elaborada, a alusão às tipologias mais antigas, denominadas à decollage e à bande, são situadas depois de 1870. (Desnier & Hagene, 1994) A estas tipologias segue-se a lata embutida, uma embalagem revolucionária que vem resolver o problema da contaminação dos produtos associados à solda e portanto à confecção das tipologias antecedentes. A lata sanitária é a tipologia que se segue e é considerada um apuramento da tipologia embutida, considerada em 1937, a última conquista da lata, num artigo da revista Modern Mechanix.

A lata sanitária foi indiscutivelmente o principal factor de espantosa magnitude na transposição da produção da lata para o presente, além de ter sido a última conquista, de aspecto revolucionário, da história da lata. (Budd, 1937, p. 166, tradução livre)

Anuncio Pinhais Conservas de Peixe, 1937Publicidade Pinhais, Matosinhos, na revista Conservas de Peixe, 1937

Na actualidade, a tipologia utilizada é denominada easy open, e varia da lata sanitária quanto ao seu sistema de abertura, pela colocação de uma anilha no tampo da lata. A única referência a esta tipologia, que nos pudesse indicar a sua periodicidade, é datada de 1970, e trata-se de um artigo na revista Conservas de Peixe, intitulado Inovação de embalagem. Podemos inferir que os grandes problemas enfrentados pela indústria em relação ao embalamento, foram primeiramente de carácter funcional e material, quer pela dificuldade de abertura quer pela contaminação causada pela utilização de solda no fabrico das mesmas. E somente após as diferentes inovações técnicas e tipológicas alcançadas, é que o aspecto gráfico da embalagem se tornou relevante e alvo de discussão, como factor importante de imposição das marcas no mercado.

De modo a ilustrar a nossa grelha de análise apresentamos algumas das latas do nosso grupo de análise, seleccionadas tendo em conta as intenções da análise, ou seja a comparação entre dois espécimens, o que perfaz a escolha de marcas comercializadas na actualidade. Num segundo momento a nossa selecção partiu tendo em vista, uma variedade formal, uma variedade temática, assim como de uma variedade de tipologias de abertura. Com um carácter exemplificativo seleccionamos assim, as marcas NuriAmourette e Mascato, apresentando cada um dos três campos da análise, Descrição Técnica, Descrição Estilística e Descrição Temática.

 

 

 

 

Nuri (Pinhais) 1948

Marca Nuri Vintage
descrição técnica

Localização espólio: Pinhais & Ca. Lda.
Fabricante: Pinhais & Ca. Lda.
Exportador: Luiz Viana & Ca. Lda. Data: primeira geração (1930-1950) Marca: Nuri Duração da marca: 1948 – act. Tipo de conserva: filetes de peixe agulha anchovado enrolados com alcaparras em azeite de oliveira e sal Peso neto: 21g Mercado de destino/lingua utilizada: inglês – traduções em italiano, alemão, francês, português

embalagem
Nome do emissor: Pinhais & Ca. Lda. Material: folha de flandres Cor: prateado Dimensões: c. 8,8c, l. 2,5cm, a. 1,6cm Peso: 12g Tipo de lata: à decollage com a patinha de abertura colocada num dos vértices dos ângulos do tampo do vazio Tipo de abertura: a abertura é feita com o auxílio da chave e executada por desenrolamento do tampo do vazio

rótulo
Impressão: Amorim & Amorim Lda. Técnica de impressão: litografia Cores utilizadas: amarelo e preto

informação escrita
Tampa: anchoved garfish rolled with capers, in pure olive oil-salt added, Nuri brand, product of Portugal, Oz. Avoir, net weight 21 grs Lateral direita: product of Portugal | importe du Portugal Lateral esquerda: Nuri brand Matosinhos – Portugal, konserviert durch salz Lateral topo: filets d’aiguillettes anchoitées roulés aux câpres, à l’huile d’olive – semi conserve – tenir au froid; filetes de peixe agulha anchovado enrolados com alcaparras, em azeite de oliveira – conservar em lugar fresco; herstellungsjahr siehe unterseite der dose; nettoinhalt, 21 g, fischeinwaage, 12 g, poids net, 21 grs. Lateral fundo: filleti di aguglia curate arrotolati con capperi all’olio d’oliva, continuto: filleti di aguglia, con capperi olio d’oliva e sale; anchovisierte hornhechtfilets gerollt mit kapern in olivenoel, kuhl und trocken aufbewahren, beschrankt haltbar; cont. Cub. 22cm3, peso neto, 21 grs., peso liquido, 21 grs., peso netto | 21 grs

 

Amourete (Pinhais) 1949Amourette, 1949

Marca Amourette Vintage

descrição estilística
Encontramo-nos perante uma cena de temática infantil, onde um casal de crianças se encontra sentado num banco à beira mar, numa noite de céu estrelado. Perto da linha do horizonte encontra-se um pequeno barco e avista-se uma ave sobrevoando as personagens. Os elementos desenhados apresentam maioritariamente linhas de contorno com a mesma espessura, é de notar que no desenho do banco e das linhas que fazem alusão ao mar a linha de contorno torna-se irregular e tem também espessuras diversas, aludindo assim, ao movimento da água onde o espaço branco, não impresso na folha virgem, por sua vez poderá fazer alusão ao reflexo e brilho da mesma. Ainda quanto à espessura das linhas, em algumas linhas de contorno em certos momentos a linha altera a sua espessura, sugerindo um efeito de volume, sendo mais notório nas linhas de preenchimento como nos ícones dos sapatos, vestimenta e cabelos. A percepção dos planos é conseguida pela sobreposição das figuras no enquadramento, onde se sobrepõe em primeiro plano o duplo círculo, sobre as personagens, o banco, e o mar sucessivamente. Não temos no entanto nenhuma alusão à perspectiva, pois não distinguimos pontos de fuga na composição, o que confere um carácter planificado à ilustração. O limite da imagem é por sua vez assinalado por uma moldura com 3mm de largura, de peixes (contamos 26 elementos), que parecem percorrer a mesma no sentido dos ponteiros do relógio, efeito gerado pela repetição dos elementos no mesmo sentido.

Quanto à escala do que é representado, estamos perante um plano de conjunto, onde duas personagens são visíveis na sua totalidade. A relação de escalas também ajuda na separação dos planos, nomeadamente nos elementos que não se sobrepõe, como é o caso da figura da ave que em relação ao barco se encontra num plano mais aproximado.

Quanto à organização estrutural da composição e à distribuição de pesos visuais, elementos com grandes dimensões são colocados ao centro, tornando a composição mais simétrica, efeito que pode também ser conferido com a inserção do duplo círculo sobre a composição. Elementos de grandes proporções e portanto num plano aproximado ganham também relevância como é o caso do banco e das personagens. Em questões de peso visual o tratamento superficial também pode ser relevante, assim, mesmo que pequenos em tamanho, elementos que se encontram em folha virgem não impressa, adquirem brilho e reflexo, o que contribui para o seu destaque. Na parte inferior da composição, a horizontalidade é conseguida pelo banco, elemento que se assemelha a um rectângulo.

As personagens, figuras centrais, são por sua vez, sobrepostas a esta horizontalidade, a figura da direita numa pose mais estática e simétrica, onde o ícone do guarda-chuva, elemento vertical, colocado ao centro da figura, dá ênfase à simetria mencionada. A figura à esquerda, ganha destaque pela inclinação corporal a que foi sujeita, em termos estruturais cria uma linha oblíqua de tensão que é por sua vez harmonizada por outro elemento mais pequeno, a ave, por outro lado a posição das asas dando seguimento á linha do chapéu da figura acaba por contrariar esta ideia guiando-nos novamente para a linha oblíqua e para a posição inclinada da figura. As personagens concentram-se no terço superior da composição e são encimadas por estrelas de formato e tamanho irregular e de distribuição aleatória, que se repetem no espaço. Há também alguma cadência (ritmo), conseguida pela repetição, mesmo que irregular, das linhas do mar e nos elementos das estrelas já mencionados, assim como nas linhas e pontos repetidos nas vestimentas. Aqui é de notar que nas vestes da personagem à direita a simulação da textura é feita aleatoriamente, pretendendo cobrir simplesmente a área a que se sobrepõe, por outro lado, a simulação de textura nas vestes da personagem à esquerda, é feita por linhas diagonais, seguindo o movimento de inclinação da personagem, dando ênfase ao mesmo. Quanto às cores utilizadas na embalagem, o amarelo e o vermelho apresentam-se como cores dominantes, fortes e vibrantes, o preto confere-lhe o carácter e acentua a expressividade e legibilidade. O contraste cromático é realizado pelo recurso a duas cores primárias (o vermelho é considerado cor primária em muitas gráficas em vez do magenta), ambas de tons quentes, onde a cor predominante é o amarelo. As cores são mate, planas, sem gradações de tonalidade.

O texto na embalagem é colocado sob a ilustração, ocupa parte inferior da área impressa, correspondendo a um terço aproximadamente, está centrado, além de ter sido escolhido um peso com boa legibilidade, o que contribui para a horizontalidade já referida, em comunhão com a linha do horizonte e de elementos como o já mencionado banco assim como o mar, que também se encontram na parte inferior da composição. Podemos diferenciar três tipografias, uma destinada à designação da marca, em caixa alta, Grand Caps, sem serif, colorida a vermelho e contornada a preto acentuando o peso e o destaque da palavra. As outras duas tipografias também em caixa alta, e sem serif, são impressas a preto, onde uma se apresenta numa versão narrow e outra em versão wide, esta última de desenho fino, onde também notámos um distanciamento excessivo entre as palavras.

Mascato (Pinhais) 1939Mascato, 1939

Marca Mascato Vintage

descrição temática
A relação título/imagem torna-se evidente na designação da marca mascato, uma vez que mascato designa o nome de uma ave marinha. Assim, a ave, elemento de destaque na composição, pela sua posição superior e central, sobre o triângulo, e pela sua coloração em folha de flandres virgem, apresenta-se como elemento principal, apesar de não ser um elemento que em questões de escala se destaque dos demais. A ilustração possui assim uma cena em destaque, inserida num triângulo, uma ave a sobrevoar um mar com alguma ondulação, onde a espuma das ondas partilha a característica brilhante em folha de flandres, como o mascato. Aliada a esta cena que vai de encontro a uma temática de influência marítima, uma realidade associada à indústria conserveira, está a moldura ilustrada com elementos que nos parecem influenciados pela antiguidade clássica, com as figuras femininas, em jeito de colunas, que suportam na cabeça o peso do friso superior, lembrando as cariátides da arquitectura grega.

As figuras femininas são também figuras aladas, e não possuem braços, relembrando-nos assim a estátua A Vitória de Samotrácia, escultura da deusa grega ‘Nice’, deusa da vitória, nome pelo qual os romanos a designaram. O membro inferior da figura assemelha-se por sua vez, ao corpo de uma serpente marítima, talvez pela associação ao mar. Esta figura parece-nos assim, composta por um conjunto de influências da mitologia grega, com busto de mulher, membro de serpente, relembrando-nos as górgonas, criaturas da mitologia assemelhadas a monstro de aspecto feminino, e asas de deusa.

Além das associações que pudemos deduzir, as figuras femininas possuem o cabelo apanhado, tronco desnudado, com um simples colar ao peito, um cinto largo e trabalhado de aspecto pesado, que faz a separação com o membro inferior, do qual parecem sair penas, pois o seu desenho assemelhasse ao desenho das asas, em forma de saia, sobre a qual se vislumbra a ponta arredondada de uma cauda de serpente. Estas figuras seguram, como foi mencionado, um friso trabalhado, com um padrão simples que se repete, encimado com elementos vegetalistas. A base da moldura, é por sua vez, formada por uma bandeira onde se inscreve parte do texto secundário. Esta ilustração apresenta assim uma temática de dupla influência, por um lado realística, ligada a uma temática marítima, e por outro lado fantasiosa e mitológica, cuja influência parte da Antiguidade Clássica, outro dos temas em voga na época. É de notar ainda as cores, nomeadamente o verde, cor pouco usual nas embalagens de conservas comercializadas pela Pinhais, além de ser uma cor, cuja utilização na indústria, não se associa a uma qualidade da conserva em específico.

considerações finais 
As embalagens de conservas da Conserveira Pinhais e em particular os rótulos destas, são testemunhos de uma transformação social e estética evidenciada na ilustração e nos grafismos adoptados pela empresa desde a sua fundação. O estudo deste património encontra no momento presente, nomeadamente a redescoberta das linguagens gráficas vintage, a pertinência do seu estudo e reflexão. Se o estudo por si só das embalagens se afigurava já como um desafio aliciante, por ser representativo de uma memória e de um património estético e cultural relevante no contexto dos estudos de embalagem, mais aliciante se tornou, pelo facto de, alguns dos objetos de estudo ainda estarem em condições de serem manuseados e analisados. Se bem que, alguma da análise realizada tivesse sido efectuada por via indireta ainda foi possível ter um contato direto com alguns exemplares de embalagens dos primórdios da empresa e efetuar uma análise física directa e proceder ao seu registo fotográfico e desse modo poder contribuir para a preservação deste património industrial e cultural.

Do espólio da Pinhais, onde figuram quinze marcas, foram selecionadas cinco: PinhaisMascatoRiosNuri e Amourette, cujos exemplares apresentam versões “vintage” e “actuais”, para podermos comparar e analisar as evoluções que ocorreram nos noventa e quatro anos de existência da empresa (1920-2014). Estas marcas correspondem também, aos primeiros anos de laboração da empresa, e datam dos anos 1920-30, 1948 e 1949. Na selecção efectuada está bem presente uma grande diversidade de temáticas, de influência Marítima (Pinhais), Antiguidade Clássica (Mascato), Infância (Amourette) e Quotidiana (Rios). Observamos também marcas cujos rótulos se mantiveram até à actualidade, como é exemplo as marcas Amourette e Pinhais, com a recorrência dos mesmos motivos ilustrados, assim como a Nuri, cujo cariz tipográfico se mantém. Temos, por outro lado, duas marcas, a Mascato e Rios, que sofreram profundas alterações, perdendo o seu carácter profusamente ilustrativo, em prol de um carácter mais tipográfico, associado a pequenas ilustrações com um papel secundário, decorativo. Podemos verificar que a componente ilustrativa foi muito utilizada nas embalagens vintage, assim como o recurso a uma profusão de temáticas, recorrendo por um lado ao imaginário e ao fantástico, com influências da Antiguidade Clássica, com as suas divindades (Cibeles) e templos (Edusa), assim como as temáticas infantis (Amourette), aliadas a abordagens mais realistas, com cenas do quotidiano (Rios e Cisne), com cenas marítimas facilmente associadas à indústria (Pinhais e Marinheiro), ou até temas relacionados com a cultura popular da época, recorrendo a personagens do cinema (Tarzan) ou da literatura (D. Quixote). Também notámos uma clara relação entre título/imagem, pois o segundo apresenta-se, regularmente, como uma ilustração do primeiro. Nas versões actuais, o destaque passa a ser dado aos elementos tipográficos, nomeadamente na designação da marca, em detrimento da ilustração.

Nos rótulos actuais, quando a ilustração é utilizada, apresenta-se como uma componente reduzida na composição do rótulo, podemos considera-la também uma ilustração informativa, associada não à designação da marca, mas sim à própria qualidade da conserva, à sua condimentação, com o desenho de vegetais como o tomate e o pimento, ou até mesmo o desenho de peixes, como são exemplo, as embalagens das marcas RiosNuri e Mascato. Do mesmo modo que a ilustração foi impulsionada pela impressão litográfica colorida, e depois pela possibilidade da utilização da fotolitografia, justificando assim o seu papel de destaque nas embalagens mais antigas, este recurso estilístico acaba por perder relevância e segue o curso normal, que é também observável noutros produtos da época, onde se passa a valorizar a utilização da tipografia, tendência a que podemos associar um maior reconhecimento do tipo de produtos por parte dos consumidores. As cores utilizadas nos rótulos, são quase sempre associadas ao tipo de conserva, amarelo para conserva em azeite, vermelho, para conserva em tomate, e laranja para conserva picante. O preto, é por excelência, a cor das linhas de contorno dos elementos ilustrados, assim como da impressão de informação escrita, nomeadamente da informação secundária. Quanto à tipografia podemos também associar as tipografias serifadas às embalagens vintage, nomeadamente na designação da marca, e as tipografias não serifadas, associamos, por sua vez, aos rótulos mais actuais. Verificamos também, no passado uma generalizada utilização de tintas mate e de tintas translúcidas, assim como a utilização da folha virgem para certas áreas, nomeadamente para evidenciar qualquer pormenor, sendo em alguns casos utilizada como se de uma outra tonalidade se tratasse, no sentido, que ocupa grande área da composição (Rios vintage). Em quase cem anos de existência da empresa e em particular nos casos analisados, observamos que ao nível gráfico ocorreram mudanças substanciais que resultam na passagem de um rótulo de cariz ilustrativo para um rótulo de cariz tipográfico. Esta alteração profunda na caracterização gráfica das embalagens decorre em grande parte de factores estéticos e económicos. A necessidade de reduzir custos de produção teve como consequência mais evidente a utilização de soluções gráficas mais despojadas que utilizassem um menor número de cores e menos elementos ilustrados. Esta opção minimalista que decorre não só de factores económicos, encontrou nos mercados um novo tipo de consumidor, que se identificava com estas linguagens despojadas, centradas essencialmente na designação do produto e de valorização do nome da marca.

O uso limitado da cor à condimentação da conserva, e a utilização escassa da ilustração com a cessação das variedades temáticas que enriqueciam os rótulos e os tornavam distintivos no conjunto dos produtos de conserva deu origem a uma homogeneização dos rótulos de conserva da conserveira Pinhais. Somos de opinião que os rótulos ao longo destes anos poderiam ter sido melhor idealizados, mais inovadores e projetados com mais atenção aos pormenores, com mais detalhes tirando partido dos métodos de impressão utilizados. Após décadas de valorização destas linguagens gráficas mais despojadas com recurso a um menor número de elementos ilustrados, e com paletas cromáticas mais restritas, assiste-se agora à valorização do produto de conserva e em particular da embalagem ilustrada. Encaradas durante anos como uma alternativa alimentar de recurso, as conservas começam também a ser tidas como um produto benéfico para a saúde. De igual modo, o surgimento de nichos comercias ligados não só à comercialização como à restauração criam o ambiente comercial e criativo propício para a redescoberta deste produto. O ambiente nostálgico em torno das dinâmicas de consumo actuais, com especial evidência nas embalagens de produtos vintage, criam oportunidades de valorização do património gráfico e de valorização do espólio da empresa. A profusão de temáticas, que nem sempre estão associadas à indústria, à pesca, ou ao mar, caracterizadoras das embalagens vintage, da conserveira Pinhais, revelam-se nos mercados actuais como uma mais valia comercial e criativa.

Na realidade, de acordo com um documentário da BBC News, intitulado Retro product renaissance proving popular in Portugal, deparámo-nos com uma tendência vintage nas embalagens dos produtos portugueses, onde é dado o exemplo da Conserveira de Lisboa, da marca de sabonetes Ach Brito e da loja A Vida Portuguesa, que tiram partido da antiguidade das suas marcas, ou de uma linguagem gráfica vintage. Somos da opinião que as marcas da conserveira Pinhais poderiam seguir esta tendência, quer pela antiguidade da empresa, quer pelo carácter artesanal do próprio produto, cujo método de fabrico ainda é bastante artesanal. O espólio da conserveira em análise quer pela sua riqueza e diversidade de embalagens, quer pela valorização e revivalismo do notável espólio que têm ao dispôr, afigura-se-nos de grande riqueza imagética que deve ser valorizado e reinterpretado podendo inclusive ser suporte das linguagens gráficas mais contemporâneas.


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