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A LITOGRAFIA DE JÚDICE FIALHO


Marcas:  Sardinha Vestida  |  Falstaff  |  Galleon  |  Desirées  |  Marie Elisabeth  |  J. A. J. F.

Reproduzimos aqui o texto do artigo “O Império Júdice Fialho” escrito 
por Luís Miguel Pulido Garcia Cardoso de Menezes, nos Cadernos Barão de Arêde.

A litografia no sítio da cruz da Pedra, na rua do Moinho, a norte da Vila Nova de Portimão, destinada à estampagem das latas em conserva, inicia-se em 1904 e tinha «7 motores de potência de 110 cavalos, com 124 operários, que estão anexas a algumas das fábricas mais importantes de conserva» e «ocupa uma área de 25m de fachada e 60 m de comprimento o que perfaz uma superfície de 1.500 m2».

A litografia era constituída em 1911, por vestíbulo, escritório, oficina de transportadores, oficina de moer tintas, casa dos geradores a vapor, três prensas litográficas de mão, uma máquina de redução, uma de granear pedras, movida por um electromotor de 2 1⁄2 cavalos, 2 geradores de vapor de 30 e 50 cavalos, a oficina das máquinas tinha três estufas e existiam ainda 5 máquinas de impressão litográfica «sendo 2 de Jesus e 3 Colombier, um torno mecânico e uma bomba aspirante completam a montagem d’esta fabrica cujo maquinismo é todo movido por electromotores (…)». A fábrica, fazia a impressão de 10000 folhas de Flandres por ano e era «iluminada por 4 arcos voltaicos de 400 velas e 220 lâmpadas de 10 velas». Tinha ainda um horário laboral de 10 horas, com hora e meia de intervalo para almoço, com um total de 39 pessoas: 2 empregados de escritório, 1 desenhador litográfico, mais 3 operários, 1 graneador e 1 aprendiz na oficina dos transportadores, 1 mestre e 30 operários nas outras oficinas, com uma média de salários de 460 réis diários.

Refira-se ainda, que a maior parte desta unidade era alimentada por electricidade, uma modernidade para a época. Em 1913, Júdice Fialho, amplia a central eléctrica que fornecia a fábrica, que era bastante elogiada pelo seu equipamento e tecnologia e pela qualidade final dos seus produtos.

A litografia, afamada em todo o país, estava dividida por uma série de sectores (o mais importante era o da lata vazia, cujas máquinas eram todas accionadas a electricidade, e estavam em instalações anexas à fábrica de S. José), a maior parte deles com tarefas complementares em relação à indústria conserveira ou com actividades necessárias ao desempenho do grupo empresarial, com o fabrico de algumas máquinas e equipamentos, como é o caso das máquinas de azeitar, que vão ser instaladas em todas as empresas do grupo em 1935.

 

Além disso, funcionava como a oficina da empresa, a par da sua principal função de litografar a folha-de-flandres e as latas, desenhava as marcas e as figuras das latas e fornecia toda a lata vazia para as diferentes fábricas.

Na Litografia, unidade localizada em Portimão, “desenham-se as marcas e as figuras das latas, litografa-se e ilustra-se a folha, e fazem-se todas as operações de fabrico de lata para receber o peixe preparado, incluindo a manufactura dos caixotes para expedição das conservas. Juntamente montam-se as oficinas necessárias para executar os trabalhos de reparação, modificação e aperfeiçoamento da diversa maquinaria utilizada nas indústrias de mar e terra” *
* Nunes (1952: 11). V., também, a descrição destas actividades complementares, à data de 1919, em Faria (2001: 45).

 

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Litografia para além da sua actividade principal de litografar latas, era como que o centro nevrálgico do grupo, onde se realizavam toda uma série de tarefas complementares e necessárias para o bom desempenho das fábricas, bem como da frota pesqueira, nomeadamente o fabrico de algumas máquinas e equipamentos, como é o caso das máquinas de azeitar, que vão ser instaladas em 1935 em todas as fábricas do grupo. 285

 

Sobre a Litografia existe ainda um relato de 1931, no jornal o “Comércio de Portimão”, com o título de “Portimão – Uma cidade nova que se impõe pelo esforço do trabalho, e que muito tem progredido”, assinada por Luís Patinha e cujo teor é o seguinte:
“Tem Portimão algumas importantes fábricas de conservas, além de uma grande oficina, conhecida por Litografia Fialho, que devido à boa vontade do meu amigo Joaquim Nunes, visitei acompanhado por ele, que como Cireneu bondoso me ia explicando as diferentes máquinas das diferentes secções; e confesso fiquei surpreendido com tão grande oficina e com tão grande variedade colecção de máquinas, onde a par dos torneiros, dos ferreiros, da serração de madeira da litografia etc. etc. figura a secção de fazer latas vazias, que é ocupada quase na sua totalidade por mulheres que dão a secção a nota alegre da mocidade feminina.”286

285 Nos dois processos das fábricas de Lagos e Olhão, existem requerimentos à 5a Circunscrição Industrial para a instalação de máquinas de azeitar (onde é referido que as máquinas vão ser construídas em Portimão), é na sequência desses pedidos que as fábricas têm que responder a um inquérito onde expressam entre outros dados os seus valores de produção.

 

A Litografia funcionava como a oficina da empresa, a par da sua principal função litografar a folha-de-flandres e as latas, fornecia toda a lata vazia para as diferentes fábricas, construindo ainda algumas máquinas.
Júdice Fialho deixou uma organização vertical e muito autónoma, pois comprava apenas as matérias-primas necessárias, tornando o seu grupo praticamente auto- suficiente, com excepção da folha-de-flandres e alguma maquinaria.

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Litografia;
 Sítio da Cruz da Pedra

Rua do Moinho; Vila Nova de Portimão;

Alvará No 3.123.

No ano de 1904, Júdice Fialho, protagoniza mais uma inovação, ao verificar que necessitava de uma Litografia para a estampagem das latas de conserva. Neste contexto assume a edificação de uma fábrica em Portimão, com o objectivo de produzir, essencialmente, para o que começava a tornar-se um verdadeiro grupo dentro da indústria conserveira portuguesa (neste ano põem em funcionamento mais uma fábrica de conservas, desta vez em Lagos, elevando para quatro o número de fábricas de conservas a que juntava a Litografia).

Em 1911, apenas existiam três litografias no Algarve – duas em V.R.S.A., e a de Júdice Fialho em Portimão – “com 7 motores de potência de 110 cavalos, com 124 operários, que estão anexas a algumas das fábricas mais importantes de conserva”192. A de Júdice Fialho era bastante elogiada pelas máquinas que tinha e pela qualidade final dos seus produtos.

A litografia situava-se na rua do Moinho, no norte de Portimão, muito perto da fábrica de S. José, e, como relata a fonte, “ocupa uma área de 25m de fachada e 60m de comprimento o que perfaz uma superfície de 1.500 m2 ”193. A fábrica tinha sete dependências, vestíbulo, escritório, oficina de transportadores, oficina de moer tintas, casa dos geradores a vapor que fornecem vapor às três estufas que estão na mesma dependência e mais duas oficinas de máquinas; possuía ainda “Cinco máquinas de impressão lythographica, sendo 2 de Jesus e 3 Colombier, um torno mecânico e uma bomba aspirante completam a montagem d’esta fabrica cujo maquinismo é todo movido por electromotores (…) A fábrica faz impressão de 10.000 folhas de Flandres por ano e é iluminada por 4 arcos voltaicos de 400 velas e 220 lâmpadas de 10 velas”194. Tinha um horário laboral de 10 horas, com hora e meia de intervalo para almoço, com dois empregados de escritório, um desenhador litográfico, mais três operários, um graneador e um aprendiz na oficina dos transportadores, um mestre e trinta operários nas outras oficinas, com uma média de salários de 460rs.195. Sublinhe- -se que a maior parte desta unidade era alimentada por electricidade, uma modernidade para a época. Em 1913, Júdice Fialho, amplia a central eléctrica que fornecia a Fábrica.

192 CABREIRA, 1918: 164.
193 VIERIA, 1911: 91.

 

Texto retirado de: A Indústria de ConservasS de Peixe no Algarve (1865 – 1945) Joaquim Manuel Vieira Rodrigues

A empresa Júdice Fialho cedo constituiu uma grande unidade de produção vertical, dispondo, não só, de uma frota de transporte e pesqueira, mas, também de outras unidades de produção adjacentes, nomeadamente, propriedades agrícolas das quais recebia as matérias-primas essenciais para a produção de conservas, como azeite, madeiras, principalmente, ficando, assim, relativamente incólume, às oscilações dos mercados.

Nesta estratégia de auto-suficiência, Júdice Fialho, cerca de 1904, ergue a “Litografia”, na qual se desenham «as marcas e as figuras das latas, litografa-se e ilustra-se a folha, fazem-se todas as operações de fabrico da lata para receber o peixe das conservas».

Esta litografia, que rapidamente se desenvolveu, cerca de 1911, era constituída, entre outros instrumentos de trabalho, por três prensas litográficas de mão, uma máquina de redução, uma de granear pedras, movida por um electromotor de 2 ½ cavalos, 2 geradores de vapor, de 30 e 50 cavalos, respectivamente; a oficina das máquinas tinha três estufas e existiam ainda cinco máquinas de impressão litográfica. Todo este parque de máquinas era movido por electromotores.

O pessoal da litografia cifrava-se em 39, das quais 30 operárias; a média dos salários era de 460 réis diários, com uma jornada de trabalho de 10 horas. Imprimia, manualmente, cerca de 10.000 folhas de Flandres.