Empresa

JOSÉ AUGUSTO JÚNIOR • brinquedos folha flandres


José Augusto Júnior “JAJ”

A Industrial de Quinquilharias Ermezinde

Com inicio em 1921 em Alfena, iniciou-se a produção dos primeiros brinquedos tradicionais em Portugal.

Os primeiros brinquedos feitos em lata “chapa de folha flandres”,  foram as gaitas com asa, seguidas em 1923 pela primeira roca para bebés, que continha no seu interior pequenas pedras oriundas das margens do Rio Leça em Alfena, fabricados pelo artesão José Augusto Júnior “JAJ”.

1928 – JOSÉ AUGUSTO JÚNIOR (J. A. J.), em Alfena, Ermesinde, inicia o fabrico de brinquedos de folha e madeira. Inicia-se na feitura de guizos e apito. 1º construtor de brinquedos de corda.

1955 – JOSÉ AUGUSTO JÚNIOR (J. A. J) arranja novas instalações em Ermesinde iniciando a fabricação de brinquedos de folha e plástico, a marca JATO.

J.A.J. José Augusto Júnior

Este artífice começa a sua actividade em 1928, em Alfena, com a sigla JAJ, fazendo brinquedos de madeira, como os tradicionais ciclistas e pombinhas e outros em folha.

Embora sem experiência e tradição familiar ligado a este primeiro material, inicia a sua actividade com as celebres cornetas, gaitinhas e guizos (214) , copiando, inclusive, alguns modelos já existentes e, de tal maneira progrediu, que, dois anos depois, já tinha ao seu serviço várias dezenas de operários.

José Augusto Júnior, em 1946, cria novas e modelares instalações em Ermesinde, na Rua 5 de Outubro, edifício que ainda hoje se mantem, embora com outras actividades.

«A Indústria de Quinquilharias de Ermezinde», assim se chamava e escrevia a empresa agora criada, foi considerada desde a sua fundação e até pouco depois do 25 de Abri 1974, como a maior unidade industrial de fabrico de brinquedos em folha de Portugal.

Em Lisboa tinha, um vendedor, José Travassos Moura, que esteve ligado a empresa até 1990.

A sua capacidade para a inovação leva-o não só a criar o primeiro carro movido a corda de fita, em Portugal, como a improvisar materiais de outro tipo na estrutura dos brinquedos, tornando-os mais leves.

Assim JAJ utilizou o cartão nos fundos e noutras partes não expostas, reservando a chapa (215) para as peças onde era necessária mais resistência.

Em 1955, José Augusto Júnior, no sentido de proceder a uma reconversão e tornar mais rentável a produção, inicia a fabricação de brinquedos em plástico, com folha com uma nova sigla – Jato.

Em 1977, <<devido a uma crise interna» os irmãos Penela -herdeiros do fundador desta fábrica – decidem prosseguir com a produção em plástico, (216) plástico e folha, usando a sigla PEPE (Penela e Penela).

Cinco anos depois (1983), mudam-se novamente para Alfena, onde constroem novas instalações, trabalhando apenas o plástico e retomando a sigla Jato. Neste momento, como nos refere um dos proprietários, tem ao seu serviço o dobro dos operários que tinham, em Ermesinde.

Actualmente a Jato, fabrica brinquedos como os celebres Martelinhos do S. João, rodas, gaiolas para grilos, tambores, pistolas de água, conjuntamente com componentes para a indústria, como pegas, turbinas para bombas artesianas, pegas para maquinas de café, embalagens de todo o tipo, etc.

Para se poder avaliar a capacidade produtiva da fábrica nestes dois ramos, basta dizer que esta firma tem ao seu serviço equipamentos modernos, desde máquinas de sopro, até maquinas de tampo grafia para impressão a quatro cores.

214 – Segundo conseguimos apurar, as gaitas e os guizos já eram fabricados pelo seu pai, para venda, em directo, nas feiras.
215 – Durante a guerra, a folha tornou-se difícil de obter, pelo que a solução foi substituí-la, onde fosse possível, pelo cartão.
216 – Agradecemos ao Sr. Joaquim Penela to do o apoio que nos deu neste trabalho.

Excerto do livro ERMESINDE: MEMÓRIAS DA NOSSA GENTE de Jacinto Soares