Empresa

Júdice Fialho & Cª • Portimão • S. Francisco


Marcas:  Sardinha Vestida  |  Falstaff  |  Galleon  |  Desirées  |  Marie Elisabeth  |  J. A. J. F.

JÚDICE FIALHO & Cª

Factory name S. Francisco

Opening date 15-5-1904

Unknown closing date

Sítio do Estrumal

PORTIMÃO

PACKERS OF CANNED FISH IN OLIVE OIL

O IMPÉRIO JÚDICE FIALHO por Luís Miguel Pulido Garcia Cardoso de Menezes

A fábrica de S. Francisco, no sítio do Estrumal, freguesia e concelho de Vila Nova de Portimão, inicia a sua actividade em 15-5-1904, estando destinada principalmente à preparação de conservas de atum, mas que «também prepara sardinha em conserva e sardinha estivada em barris nos meses em que já não há pesca d’atum».

Também nesta empresa fabril, temos a exposição do padre José Vieira:

«A fabrica do Estrumal mede 20.000 m2 d’área e contêm casas para soldadores, enlatar, ebulição, máquinas, geradores de vapor, telheiros de resíduos para guano, adega de azeite, armazém de materiais, uma bateria de 20 caldeiras para cozer o atum, quatro hangares para enxugar o peixe, pátio central, três prédios para morada dos empregados. Pessoal: mestre e contra mestre, mestra e contra mestra, 50 homens (soldadores e trabalhadores). Salários iguais aos da fabrica de S. José».75

A fábrica de S. Francisco ou do Estrumal, era assim chamada pois situava-se ao sul da vila, na Quinta Foz do Arade, sendo propriedade de Francisco Bivar Weinholtz, que a arrendara e depois vendera a João António Júdice Fialho.76

A fábrica de S. Francisco, detinha num inventário datado de 1932, os seguintes equipamentos fabris: «18 mesas de descabeçar, de 12 lugares cada; 4 carros de cozer; 3 carros de estufar; 1 cofre estufa para três carros; 2 cofres de 40 grelhas; 6 mesas de enlatar para 150 lugares; 1 cravadeira Sudry n.o 1; 5 cravadeiras Matador; 1 cravadeira “Carnaud”; 1 cravadeira de lata redonda G.H.N. Na secção de guano existiam 1 cozedor (dorna) e 2 prensas “Mabile”. Como máquinas diversas estavam instaladas 3 burrinhos para alimentação de caldeiras; 2 bombas para tirar água do poço; 2 depósitos rectangulares para lavagem de grelhas; 3 caldeiras a vapor; 1 motor de vapor e 1 dínamo».

75cf. José Gonçalves Vieira, op. cit., p. 90.
76cf. MMP, Arquivo Júdice Fialho, «Documentos Oficiais»: “Escritura de arrendamento da Quinta da Foz do Arade”, caixa 431, A 37, documento n.o 5859 de 29-12-1903 e MMP, Arquivo Histórico, 5a Circunscrição Industrial, Processo n.o 183: S. Francisco (Júdice Fialho), Alvará n.o 4172 de 15-10-1923 e Luiz Mascarenhas, op. cit., p. 15 e Jorge Miguel Robalo Duarte Serra, op. cit., pp. 57-58.

Nos terrenos desta fábrica, estava implantado um grande estaleiro, onde a empresa construía ou reparava os barcos da sua frota. Esta entidade fabril, podia produzir 35 caixas por hora com as cravadeiras que tinha.77 Em 1931, produzia 50000 caixas, em 1933, 117 78 caixas e em 1934, 25955 caixas. A fábrica de S. Francisco, possuía 1 dínamo gerador de 20 kw, que fornecia energia eléctrica para iluminação em 1938 de 1426 kw.78

77cf. Cada caixa levava 100 latas de conservas de peixe.
78cf. Jorge Miguel Robalo Duarte Serra, op. cit., pp. 93-94 e 96 e MMP, Arquivo Histórico, 5a Circunscrição Industrial, Processo n.o 183: S. Francisco (Júdice Fialho), Alvará n.o 4172.Planta da fábrica de S. Francisco ou Estrumal (fotografia do museu de Portimão)

O nascimento de um império conserveiro:
 “A Casa Fialho”
 (1892 – 1939)

Fábrica de São Francisco;
 Sitio do Estrumal – Freguesia e Concelho;
de Vila Nova de Portimão;
Processo No 183 – Alvará No 4.172; Concessão do Alvará em 15 de Outubro de 1923175.


Pedido de Registo da Fábrica de São Francisco

Sabemos que a fábrica do São Francisco/Estrumal, só iniciou a sua actividade em 15 de Maio de 1904, pelo que se pode concluir que as referências na Estatística Industrial de 1905, (relativa aos anos de 1901, 1902 e 1903) para Portimão, onde se assinala a existência de duas fábricas de conservas, devem ser, uma relativa à da Fábrica de S. José e outra à da Feu Hermanos, já que a fábrica desta última firma iniciou a sua actividade em 1902176.

Na estatística, é referido que uma das fábricas está a alargar as suas instalações177. Presumimos que seja a de São José, pois duas páginas a seguir, na mesma estatística, assinala-se ainda que “uma das instalações é muito regular e a outra acanhada em relação ao pessoal que emprega, está sendo alargada pelo respectivo proprietário que além d’isso está construindo outra fabrica para a laboração do atum, ficando a actual exclusivamente para a sardinha.”178 O autor está sem dúvida a falar da fábrica de São José, que se vai especializar em conservas de sardinha, pois, Júdice Fialho está por esta altura a construir outra fábrica no Estrumal “especialmente destinada à preparação de conservas de atum”179. No entanto, em relação a esta fábrica, existe uma outra indicação, que anota que para além da produção de conservas de atum “também prepara sardinha em conserva e sardinha estivada em barris nos meses em que já não há pesca d’ atum”180.

A fábrica de São Francisco (ou Estrumal), assim também chamada porque estava no sítio com o mesmo nome (Estrumal), situado ao sul da vila, na Quinta Foz do Arade (que ia até à margem do rio Arade), era propriedade de Francisco Bivar Weinholtz que a arrendara a Júdice Fialho181. Foi posteriormente comprada, na sua maior parte182, certamente como consequência da necessidade de crescimento que sentia, por este arrendatário, que sabemos deter, no ano de 1911 um outro espaço limítrofe. O convento de São Francisco “com a sua cerca, estava arrendado a João António Júdice Fialho para serviço da sua indústria piscatória”183.

Também esta fábrica, foi construída de raiz a “instalação terminou no dia 15 do mês Maio e do ano de 19041  84 (vd. anexo 2). Para o conhecimento desta fábrica continua a ser útil a narração do Padre José Vieira.

“A fabrica do Estrumal mede 20.000 m2 d’ área e contêm casas para soldadores, enlatar, ebulição, máquinas, geradores de vapor, telheiros de resíduos para guano, adega de azeite, armazém de materiais, uma bateria de 20 caldeiras para cozer o atum, quatro hangares para enxugar o peixe, pátio central, três prédios para morada dos empregados. Pessoal: mestre e contra mestre, mestra e contra mestra, 50 homens (soldadores e trabalhadores). Salários iguais aos da fabrica de S. José”185.

175 M.M.P., Arquivo Histórico, «5a Circunscrição Industrial», documentos fotocopiados trazidos do Patacão, Processo n.o 183: S. Francisco (Júdice Fialho), Alvará 4.172.
176 Cf. DUARTE, 2003: 22 – 23.
177 ESTATÍSTICA INDUSTRIAL, 1905: 274.
178 ESTATÍSTICA INDUSTRIAL, 1905: 276.

179 ESTATÍSTICA INDUSTRIAL, 1905: 274.
180 MASCRENHAS, 1915: 15.
181 M.M.P., Arquivo Júdice Fialho, cx. 431, A 37, «Documentos Oficiais», doc. 5859 de 29 de Dezembro de 1903, Escritura de arrendamento da Quinta da Foz do Arade.
182 M.M.P., Arquivo Júdice Fialho, cx. 431, A 37, «Documentos Oficiais», doc. 5858 de 3 de Junho de 1911, Escritura de compra de parte da Quinta da Foz do Arade.
183 MARQUES; VENTURA, 1993: 28.
184 M.M.P., Arquivo Histórico, «5a Circunscrição Industrial», documentos fotocopiados trazidos do Patacão, Processo n.o 183: S. Francisco (Júdice Fialho), Alvará 4172.
185 VIEIRA, 1911: 90.