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Pereira Neto & Cª • Sesimbra


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PEREIRA NETO & Cª

A PRIMOROSA – FÁBRICA DA CAVEIRA

Founded 1916

Unknown closing date

Rua D. Sancho I, junto ao cemitério SESIMBRA

PACKERS OF CANNED FISH IN OLIVE OIL

Source: 1948_04 revista de Conservas

 

Pereira, Neto & Cª. 

A Fábrica de Conservas Primorosa, como era mais conhecida, foi fundada em 1916 por Manuel José Pereira e os seus sócios. Em 1945, a sociedade era formada, apenas, por Abel da Silva Neto, Farinha Nobre e Faustino Simplício. Esta conserveira era, também, conhecida, entre os sesimbrenses, como a «fábrica da Caveira», por se encontrar junto ao cemitério, situada na Rua D. Sancho I.

Por volta do ano de 1944, com os lucros recorrentes das exportações, A Primorosa encetou um conjunto de grandes melhoramentos na sua fábrica de conservas de peixe em azeite, uma quase «reconstrução» da mesma, como consta n’O Cezimbrense.

Na secção de enlatar trabalhavam 93 operárias, cuja farda eram batas e lenços brancos na cabeça, laborando em cima de mesas revestidas a pedra mármore. Na secção da salga de peixe existiam dois grandes tanques de cimento revestidos a azulejos brancos e inúmeros pios de cimento, as moiras. Existia, também, uma caldeira com filtro industrial, da marca Valvalete, que trabalhava com água calcária, o que era uma grande inovação, visto que evitava que fosse todos os anos picada para lhe retirar o calcário. Existiam, ainda, três autoclaves para a esterilização das latas e um enorme depósito subterrâneo, em vidro, para o azeite. Existiam, ainda, duas máquinas na secção de cravação 75.

Para a higiene e para o bem-estar da população operária daquela fábrica, seriam construídas 3 casas de banho: uma para os operários, outra para as operárias e uma terceira para os patrões, apetrechadas com dois balneários com duches. No centro da fábrica existia, ainda, um marco fontenário, uma espécie de repuxo onde todos poderiam beber água a qualquer momento. O piso térreo era repleto de armazéns para recolha da mercadoria, combustíveis e sal.

No piso térreo, a Pereira, Neto & Cª. possuía uma casa para a fabricação de adubo, aproveitando os detritos do peixe, onde se observavam pios em cimento e duas prensas. O ambiente era limpo, não se notando odor algum a adubo. No mesmo nível, existia uma cisterna para a captação de águas da chuva. O telhado possuía canalizações em tubagem de Lusalite, que conduzia a água para o grande receptáculo. Por seu turno, a elevação da água da cisterna era feita por um pequeno motor.

O escritório da empresa era situado no piso superior. Segundo o jornalista João da Luz, o espaço era bem mobilado, com três secretárias, uma estante e uma boa máquina de escrever. As paredes, até certo ponto, eram forradas de corticite. Em frente à fábrica, situava-se um grande armazém construído para albergar pilhas de caixas de conservas, simetricamente colocadas e formando alas, por onde se transitava e se verificavam os lotes 76.

75 Cf. LUZ, João da – «Sesimbra Industrial», O Cezimbrense, nº. 978, 15 Abril 1945, p. 2.

76 Idem, ibidem, p.2.

….Na verdade, é ainda antes do inicio da I Guerra Mundial que é fundada, em Sesimbra, a sociedade Paschoal, Nero e Cª, da qual já fizemos referência, e é comprada a fábrica conhecida por Ousille pela empresa dirigida por Arséne Saupiquet. Corria o ano de 1912 e a sardinha, na Bretanha, não abundava. Em 1916, em plena guerra, é inaugurada a fábrica da firma Pereira, Neto & Cª., mais conhecida como A Primorosa. Nesta sociedade, o sócio gerente era Manuel José Pereira, tendo como sócio, na década de 1940, Farinha Nobre 89.

…ano de 1942… Da mesma forma, a Pereira, Neto & Cª pedia uma licença camarária para realizar obras na fábrica de conservas, o que parecia indicar sinais de uma melhor condição financeira 287.

in A INDÚSTRIA CONSERVEIRA DE SESIMBRA NOS PRIMÓRDIOS DO ESTADO NOVO
(1933-1945)
Andreia da Silva Almeida


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