Marca

Mascato


MASCATO brand

Pinhais & C.ª, Lda.

mascato-pinhais-1939

Mascato, embalagem de 1939

A relação título/imagem torna-se evidente na designação da marca mascato, uma vez que mascato designa o nome de uma ave marinha. Assim, a ave, elemento de destaque na composição, pela sua posição superior e central, sobre o triângulo, e pela sua coloração em folha de flandres virgem, apresenta-se como elemento principal, apesar de não ser um elemento que em questões de escala se destaque dos demais. A ilustração possui assim uma cena em destaque, inserida num triângulo, uma ave a sobrevoar um mar com alguma ondulação, onde a espuma das ondas partilha a característica brilhante em folha de flandres, como o mascato. Aliada a esta cena que vai de encontro a uma temática de influência marítima, uma realidade associada à indústria conserveira, está a moldura ilustrada com elementos que nos parecem influenciados pela antiguidade clássica, com as figuras femininas, em jeito de colunas, que suportam na cabeça o peso do friso superior, lembrando as cariátides da arquitectura grega.

As figuras femininas são também figuras aladas, e não possuem braços, relembrando-nos assim a estátua A Vitória de Samotrácia, escultura da deusa grega ‘Nice’, deusa da vitória, nome pelo qual os romanos a designaram. O membro inferior da figura assemelha-se por sua vez, ao corpo de uma serpente marítima, talvez pela associação ao mar. Esta figura parece-nos assim, composta por um conjunto de influências da mitologia grega, com busto de mulher, membro de serpente, relembrando-nos as górgonas, criaturas da mitologia assemelhadas a monstro de aspecto feminino, e asas de deusa.

Além das associações que pudemos deduzir, as figuras femininas possuem o cabelo apanhado, tronco desnudado, com um simples colar ao peito, um cinto largo e trabalhado de aspecto pesado, que faz a separação com o membro inferior, do qual parecem sair penas, pois o seu desenho assemelhasse ao desenho das asas, em forma de saia, sobre a qual se vislumbra a ponta arredondada de uma cauda de serpente. Estas figuras seguram, como foi mencionado, um friso trabalhado, com um padrão simples que se repete, encimado com elementos vegetalistas. A base da moldura, é por sua vez, formada por uma bandeira onde se inscreve parte do texto secundário. Esta ilustração apresenta assim uma temática de dupla influência, por um lado realística, ligada a uma temática marítima, e por outro lado fantasiosa e mitológica, cuja influência parte da Antiguidade Clássica, outro dos temas em voga na época. É de notar ainda as cores, nomeadamente o verde, cor pouco usual nas embalagens de conservas comercializadas pela Pinhais, além de ser uma cor, cuja utilização na indústria, não se associa a uma qualidade da conserva em específico.

TEXTO RETIRADO DE:

A Embalagem de Conservas na Conserveira Pinhais, por Sara Monteiro

Sara Monteiro é designer gráfica licenciada e mestre em Design de Comunicação pela ESAD – Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos. Realizou a dissertação A Embalagem de Conservas na Conserveira Pinhais: Análise dos Rótulos Produzidos de 1920 a 2014 no âmbito do Mestrado em Design de Comunicação em 2014.