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PINHAIS • Sardines in brine


Marca:  Pinhais

PINHAIS • Sardines in brine

PINHAIS • Sardines in brine

in A Embalagem de Conservas na Conserveira Pinhais
Análise dos rótulos produzidos de 1920 a 2014
Sara Sousa Monteiro
Design de Comunicação
2014

EMBALAGEM

NOME DO EMISSOR: PINHAIS & CA. LDA. 

MATERIAL: FOLHA DE FLANDRES 

COR: PRATEADO 

DIMENSÕES: C. 21,3CM L. 21,3CM A. 12,2CM 

PESO: 424G 

TIPO DE LATA: LATA SOLDADA SEM ABERTURA FÁCIL

TIPO DE ABERTURA: REALIZADA COM O AUXÍLIO DE UM UTENSÍLIO EXTERNO

RÓTULO

IMPRESSÃO: AMORIM & AMORIM LDA. 

TÉCNICA DE IMPRESSÃO: LITOGRAFIA 

CORES UTILIZADAS: BRANCO, AZUL, CIANO, VERMELHO

DESCRIÇÃO TÉCNICA

LOCALIZAÇÃO ESPÓLIO: PINHAIS & CA. LDA. 

FABRICANTE: PINHAIS & CA. LDA. 

EXPORTADOR: PINHAIS & CA. LDA. 

DATA: PRIMEIRA GERAÇÃO (1920-1930)

MARCA: PINHAIS 

DURAÇÃO DA MARCA: 1939 (PELO MENOS) – ACT. 

TIPO DE CONSERVA: SARDINHA EM SALMOURA

PESO NETO: 3KG

MERCADO DE DESTINO: LÍNGUA UTILIZADA: INGLÊS | TRADUÇÕES EM: ITALIANO, FRANCÊS, PORTUGUÊS, ESPANHOL

 

INFORMAÇÃO ESCRITA

LATERAL CENTRO: SARDINES AL BRINE | PINHAIS & C.ª LDA. MATOZINHOS – PORTUGAL | MARCA REGISTADA | PESO NETTO 3K | NET WEIGHT 107OZ

LATERAL DIREITA: SARDELLE IN SALAMOIA. | SARDINES EN SAUMURE.

LATERAL ESQUERDA: SARDINHAS EM SALMOURA. | SARDINAS EN SALMUERA.

 

DESCRIÇÃO ESTILÍSTICA

O rótulo apresenta uma cena piscatória, onde é representado um pescador sentado numa duna, descalço, a manusear uma rede de pesca, com duas aves a sobrevoá-lo. Ao fundo o mar e céu azul. A cena é inserida num duplo círculo com informações referentes à marca ‘Pinhais’, sobreposto à ilustração de um peixe. Este elemento de destaque é simultaneamente o logótipo da Pinhais, e a marca do produto com a mesma designação. A informação secundária, ladeia o logótipo, preenchendo a lata. Os elementos caligráficos são também elementos de destaque, dado ao detalhe que apresentam.

Os elementos desenhados apresentam na sua maioria linhas de contorno com a mesma espessura. Embora seja visível que nas linhas de preenchimento, a espessura é variável conferindo volumetria aos elementos ilustrados. Nesta ilustração o ponto é utilizado como recurso gráfico, normalmente designado de técnica de pontilhismo, para cobrir tanto áreas inerentes à personagem, como zonas da paisagem. Há assim uma conjugação entre áreas planas contornadas e áreas de pontilhismo. É de mencionar ainda, que a tonalidade do contorno não é o preto habitual, mas sim um azul escuro. Quanto à técnica de pontilhismo, os pontos parecem ter o mesmo tamanho, mas tanto são aproximados como afastados gradualmente entre si, de modo a conferir um efeito de gradação da cor, o que confere um carácter tridimensional à ilustração. 

A percepção dos planos é conseguida pela sobreposição das figuras no enquadramento, onde se sobrepõe em primeiro plano a rede, sobre a personagem, e esta por sua vez sobrepõe-se à extensão de terra e água sucessivamente. Na linha do horizonte também podemos notar duas silhuetas e sobre a coloração do céu visualizamos duas aves. A cena descrita é inserida num circulo, elemento onde está descrita a designação da marca, que é por sua vez sobreposta ao desenho de um peixe. 

Quanto à escala do que é representado, o duplo círculo com a designação da marca e o peixe acima mencionados são elementos em grande formato, a personagem no centro do círculo também é um elemento realçado, e estamos perante um plano geral, onde a personagem é totalmente visível, situando a acção e a personagem no ambiente onde a primeira decorre. Quanto à informação escrita secundária, que envolve o resto da embalagem, esta também se apresenta numa escala considerável. A relação de escalas também ajuda na separação dos planos, nomeadamente nos elementos que não se sobrepõem, como é o caso das figuras das aves que em relação ás silhuetas na linha de horizonte se encontram num plano mais aproximado. Quanto à informação tipografica secundária, que envolve a embalagem, esta também se apresenta numa escala considerável.

Quanto à organização estrutural da composição e à distribuição dos pesos visuais, elementos em grande escala, já mencionados, o peixe, o duplo círculo e a personagem, são colocados ao centro, parecem coincidir com o eixo central (vertical) da composição. O peixe, elemento horizontal e comprido, ao qual se sobrepõe o círculo, são figuras de destaque, além de proporcionarem uma simetria geral à composição. Quanto à cena que decorre, a linha do horizonte é visivelmente horizontal e recta enquanto que a linha do limite da areia é oblíqua, aproximando-se da linha anterior, à esquerda da composição, atrás das costas da personagem, a zona a azul da extensão de água parece assim destacar-se. A aproximação no canto esquerdo parece-nos chamar a atenção por sua vez, para este canto da composição, o nosso olhar recai assim na personagem, após uma primeira observação geral da cena. Em questões de peso visual o tratamento superficial também pode ser relevante, deduzimos que o desenho do peixe deverá ter sido reproduzido numa zona em folha virgem brilhante, devido ao grau de ferrugem que adquiriu com o tempo, e a tonalidade azul da pintura do mesmo, deverá ter sido conseguida pelo recurso a uma tinta aguada, pois também se apresenta enferrujada, assim o peixe terá sido uma figura de destaque da composição, apesar de se apresentar em último plano. 

Com o recurso ao exercício da lei dos terços, podemos perceber que como inferimos inicialmente o círculo está centrado na composição, assim como o peixe, no entanto este não coincide com o eixo central horizontal da composição, estando descaído em relação a este. A personagem também se encontra mais à esquerda do eixo central vertical, no entanto é de notar que as suas mãos se encontram sobre esta linha, posição de destaque. Quanto à divisão dos terços, a linha do terço superior está próxima de coincidir com a linha do horizonte, o rosto da personagem é dividido por esta linha sobrepondo-se ao nariz e à linha dos ombros. O terço central contem a maior parte dos elementos, a extensão do mar, a areia, o restante corpo da personagem e a rede. O terço inferior contém na sua maioria informação escrita. Quanto à divisão dos terços na vertical, é de notar que o circulo interior se enquadra na secção do terço central da composição. Informação textual secundária está presente nos terços superior e inferior, é de notar que no terço superior ela está disposta de modo a acompanhar a linha de contorno do peixe e do círculo, envolvendo os mesmos, e ajudando à simetria da composição. Quanto ao texto secundário que envolve o resto da embalagem, não parece haver grande organização ou sobreposição de acordo com a divisão em terços, no entanto há claramente uma divisão ao centro, conseguida por uma zona não impressa. O texto é dividido em quatro linhas, e agrupado em pares, a tipografia parece ser assim empurrada para os limites da composição, tanto superior como inferior. 

Há também alguma cadência (ritmo), conseguida pela trama do desenho da rede, que ocupa grande parte inferior da cena, na barbatana do peixe pela repetição de linhas, assim como na zona central do mesmo, onde há uma separação de coloração do topo e da barriga, parecendo fazer alusão a um reluzir da pele do animal. A própria técnica do pontilhismo também parece conferir algum ritmo à ilustração. 

Quanto às cores utilizadas na embalagem, o branco parece-nos a cor predominante, destinado à tonalidade do fundo, assim como da tipografia inserida no duplo círculo. Quanto ás restantes cores, temos a conjugação do vermelho, tom quente e vibrante, com duas tonalidades de azul, um azul escuro e um ciano, tons frios, cores utilizadas na ilustração frontal da embalagem. Quanto ao preto ele só é utilizado no contorno da caligrafia do texto secundário colocado à esquerda e à direita da ilustração central. O contraste cromático é realizado pelo recurso a duas cores primárias, o vermelho e o ciano. As cores são mate, com excepção do azul na coloração do peixe, como mencionamos anteriormente, planas e sem gradação de tonalidade. 

Quanto ao texto na face central da embalagem, este é inserido no duplo círculo, encontrando-se também na parte superior como inferior da composição. Distinguimos duas tipografias, uma sem serif utilizada na designação da marca, em tamanho de boa legibilidade, de contornos arredondados e de espessura regular do traço, em versão bold e regular, é utilizada maioritariamente em caixa alta. A segunda tipografia apresenta serif, e destina-se à informação secundária no topo da composição. É utilizada em caixa alta, também num tamanho com boa legibilidade, apresenta um contraste de espessura no traçado, fina e espessa. Também podemos destacar certas letras com carácter mais caligráfico e com peculariedades ou traços de distinção, como a letra ‘A’ onde o traço horizontal é um elemento trabalhado, a letra ‘R’ com uma finalização também peculiar e a letra ‘E’ onde as serifas estão colocadas na diagonal das terminações da letra. O texto escrito com esta caligrafia apresenta-se desenhado sobre uma linha ondulada, que acompanha, como já foi mencionado, o contorno dos outros elementos, aos quais se sobrepõe. Quanto ao texto utilizado nas faces laterais da lata, este aparece como um elemento de destaque e muito trabalhado. Recorrendo novamente a uma tipografia com serif, que apresenta ligações entre as letras em jeito de caligrafia manual e apresenta contornos arredondados, assim como, uma espessura variável do traço. É de notar ainda a dupla linha de contorno, que confere imponência assim como tridimensionalidade e sombra ao elemento caligráfico. As letras são impressas a vermelho, tom vibrante, com um contorno a preto e uma sombra a azul ciano. 

 

DESCRIÇÃO TEMÁTICA

Podemos dizer que existe uma relação título/imagem, no entanto, não no sentido em que a última pretende ilustrar a primeira. A marca ‘Pinhais’ foi designada com o nome da empresa, que por sua vez deriva do sobrenome dos dois irmãos fundadores, ‘Pinhal’, assim, o motivo ilustrado é o próprio logótipo da empresa. O logótipo consiste num duplo circulo com a designação da empresa e informações a ela inerentes, imposto sobre o desenho de um peixe, com uma cena piscatória no seu interior. A cena, representa um pescador que segura uma rede de pesca, sentado no areal, com a extensão de mar como plano de fundo, e um céu azul e branco, com alguma tonalidade alaranjada conseguida pelo pontilhismo já mencionado. 

Facilmente reparamos que o pescador é um homem idoso, de bigode, barba e cabelo branco. Ele encontra-se bem agasalhado, com casaco e chapéu, no entanto apresenta-se descalço como é normal neste tipo de actividade. Notamos que ele não nos olha, o seu olhar dirige-se para o seu regaço, guiando também a nossa atenção para esse local. Reparamos que ele parece estar concentrado no trabalho que exerce, parece ter um instrumento na mão direita, talvez uma agulha de cozer redes, segurando com a outra mão a rede de pesca, de trama intrincada que parece ter flutuadores na extremidade. Ao seu lado direito parece estar uma caixa branca, no entanto não distinguimos nenhum elemento no seu interior. 

Na linha do horizonte aparecem duas silhuetas, uma que parte da extremidade esquerda da cena, assemelha-se a um pontão com um farol, e a outra no canto direito da composição assemelha-se a um barco.

A imagem parece-nos transmitir uma sensação de tranquilidade, pelo homem idoso, sereno, a trabalhar descalço na areia quente, envolvido no cheiro da maresia, com as gaivotas a sobrevoarem-no num céu limpo e azul. 

Esta ilustração apresenta claramente uma temática da faina marítima, realista, relacionada com o quotidiano dos pescadores, e portanto intimamente ligada com a indústria de conserva de peixe.