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Fred Kradolfer


Fred Kradolfer nasce em Zurique no dia 12 de Junho de 1903. O seu primeiro nome era Fritz.

Estudou Ourivesaria na Zürich Kunstgewerbeschule (Escola de Artes Aplicadas de Zurique) e depois frequenta a Akademie der Bildenden Künste München (Academia de Belas-Artes de Munique).

Durante o período que se seguiu, Kradolfer levou uma vida errante, habitando diversas cidades europeias, tais como Roterdão, Bruxelas e Paris, onde trabalhou na decoração de montras de estabelecimentos comerciais.

Por fim, acaba por se fixar em Portugal, no ano de 1924, no dia 1 de Agosto, na expetativa do clima soalheiro.

Diz-se que foi Kradolfer que deu o nome à Costa do Sol. Aquando da sua chegada a Portugal, ainda sem falar a nossa língua, quando vê a paisagem da linha de Cascais, exclama: “Voilá! C’est la Cote du Soleil!”.

Colabora com o Atelier Arta de Artur Soares e Jorge Barradas.

É contratado como decorador e artista gráfico pelo Instituto Pasteur, em Lisboa.

Inicia na revista Ilustração uma série extensa de publicidades para a oficina Irmãos Bertrand.

No ano de 1928 participa na Exposição Industrial Médico-Cirúrgica, pelo Instituto Pasteur, com um stand de estilo art déco notavelmente executado.

No final de 1929, capa da Ilustração para o primeiro número de janeiro do ano seguinte.

Em 1930 participa no I Salão de Independentes. Ao serviço da Philips, na Exposição da Luz e Electricidade Aplicada ao Lar, esta última no SNBA.

Com Bernardo Marques, executa cenários para o filme mudo Ver e Amar!, de Chianca de Garcia.

Em 1931, cartaz e decoração para a Exposição Colonial Portuguesa em Paris. Cartaz turístico Portugal – Praia de Espinho.

Capa do livro Feira de Amostras, para a Empreza Nacional de Publicidade.

Em 1932 desenha a Exposição Industrial Portuguesa.

Capa para o número 1 da revista Fama.

Capa para o livro Páscoa Feliz, de José Rodrigues Miguéis, nas Edições Alfa.

Capas para livros de António Botto nas Edições Paulo Guedes.

Expõe na SNBA. Repetirá a presença na SNBA em 1933, 1934, 1935 e 1960.

Em Abril de 1933, na Exposição da Criança, Kradolfer desenvolve para a Nestlé um stand, considerado o mais admirável.

Em 1935, decoração nos pavilhões das Festas de Lisboa.

Capa do primeiro número da revista Actualidade Colonial, da Editorial Cosmos.

Em 1936 decora o átrio da Exposição do Ano X da Revolução Nacional.

Em 1936, José Rocha funda o ETP – Estúdio Técnico de Publicidade – no qual junta um grupo de artistas como Maria Keil, Bernardo Marques, Ofélia Marques, Kradolfer, TOM, Botelho, Stuart e Carlos Rocha, muitos dos quais já trabalhavam juntos no SPN.

Decorações para o Salão de Chá Imperium, que tinha o seu interior arquitectado por Raúl Tojal.

Em 1937 orienta a decoração dos interiores da Exposição Histórica da Ocupação no Século XIX.

Em Paris pinta com Bernardo Marques cenários no Théatre des Champs-Élysées para um espetáculo de folclore preparado por António Ferro.

Integra com Bernardo Marques, José Rocha, Carlos Botelho, Thomaz de Mello e Emmérico Nunes uma equipa responsável pela decoração e estratégia de comunicação na Exposição Internacional de Paris, onde o Pavilhão de Portugal foi condecorado com o Grand- Prix da Exposição.

Em 1939, colabora nas exposições de Nova Iorque e são Francisco.

Inicia uma longa colaboração com a Editorial Inquérito, com capas para várias coleções. Integra o coletivo de pintores-decoradores da Exposição do Mundo Português de 1940.

Em 1941, depois da exposição, recebe a comenda da ordem de Sant’iago da Espada juntamente com os outros artistas que participaram.

Em 1942, o ETP, pela mão de José Rocha e Fred Kradolfer, utiliza os tapumes das obras, enchendo-os com cartazes pintados e em relevo, iluminados.

Em 1943, exposição e cartaz da Exposição Suíça no Instituto Superior Técnico. Expõe na I Exposição de Artistas Ilustradores Modernos organizada pelo SNI.

Em 1944, com os inevitáveis Bernardo Marques, Carlos Botelho e José Rocha e também José Luís Brandão, decora os stands da Junta Nacional do Vinho, do Instituto Português de Conservas de Peixe e da Junta Nacional da Cortiça, presentes na Feira Popular. Para os quais também executa um grande número de rótulos, cartazes publicitários e montras.

Inicia colaboração com a editora Portugália, ilustrando capas da coleção Os Romances Sensacionais.

Em 1945, capas para os números 4 e x da revista Ver e Crer.

Em 1947 expõe pela primeira vez, a nível individual, cerca de 18 obras, na Galeria Instanta, na Rua Nova do Almada.

Em 1949, cartaz Feira das Indústrias Portuguesas.

Em 1952 colabora na decoração do Cine-Teatro Monumental, projetado por Rodrigues de Lima.

Desenha para a ETP cartazes, publicidade e embalagens para Como Cozinhar Sardinhas Portuguesas de Conserva, campanha do Instituto Nacional do Peixe.

 

Em 1955 retoma o seu interesse pelo azulejo, sobretudo lambrilhas com motivos populares.

Entre 1955 e 1957 elabora dois painéis para o Hotel Infante Santo.

Em 1957, várias placas cerâmicas com o nome dos pesqueiros da Boca do Inferno, em Cascais. Decoração total do interior do edifício da sede da Soponata, na Rua do Açúcar, em Lisboa. Revestimento da capela do Aquartelamento de Santa Margarida com azulejos para o batistério, para o arco do triunfo, paredes laterais e os vitrais e a tábua do altar com a representação de Santa Margarida.

Em 1955 e 58, capas do programa das Festas de Lisboa.

Em 1958, participa no Pavilhão de Portugal na Exposição Internacional de Bruxelas.

Em 1962, colecção de selos Europa, que simbolizava os 19 países membros da CEPT. Contribui para a evolução da tapeçaria, executando cartões a guache para a Manufactura de Portalegre.Participa na I Bienal de Tapisserie de Lausane.

A Câmara Municipal de Lisboa encomenda-lhe, no início dos anos 60, o projeto para painéis de azulejos para miradouros de Lisboa, executados pela Fábrica Viúva Lamego. São concluídos São Pedro de Alcântara (1962), Castelo de São Jorge e Nossa Senhora do Monte (1963) e Monte Agudo (1965).

Em 1965, maquetas de azulejos para o Cinema Europa e para a fachada do edifício da Reitoria da Universidade de Lisboa.

Em 1965, capas dos números 67 a 71 da Revista Municipal, para a Câmara Municipal de Lisboa.

No Casino Estoril, em 1966, reveste o fundo do espelho de água interior do Jardim de Inverno e para o Hotel Estoril-Sol realiza cinco painéis cerâmicos. Na Exposição dos Cinquenta Anos da Tapeçaria da Manufactura de Portalegre, organizada pela Fundação Calouste Gulbenkian, expõe a tapeçaria Pinheiros.

Em Junho de 1968 recebe o prémio Diário de Notícias, pela primeira vez entregue a um artista ligado às artes gráficas. Realiza duas exposições, a primeira nos salões do SNI, no Palácio Foz, com o título Coisas do Mar, onde apresentou 25 guaches. A segunda, foi organizada por Artur Bual, na Galeria Archote.

Morreu em 16 de julho de 1968, com 65 anos.

 

Imagens gentilmente cedidas por Carlos Rocha
Biografia cedida por Jorge Silva
www.silvadesigners.com
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